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A sustentabilidade de uma embalagem começa muito antes de ela chegar à gôndola

Sustentabilidade

A sustentabilidade de uma embalagem começa muito antes de ela chegar à gôndola

Durante anos, as discussões sobre sustentabilidade concentraram-se principalmente no destino dos produtos após o consumo. Reciclagem, reaproveitamento e gestão de resíduos passaram a ocupar um espaço importante nas estratégias empresariais e nas decisões dos consumidores.

Por

Cristina Banaskiwitz

·

7 de julho de 2026

·

3 min

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Essa visão continua relevante, mas já não é suficiente.

À medida que empresas, investidores e órgãos reguladores ampliam suas exigências em relação à transparência das cadeias produtivas, cresce também a necessidade de compreender tudo o que acontece antes que um produto chegue ao mercado. Em outras palavras, a sustentabilidade deixa de ser analisada apenas pelo fim da jornada e passa a ser avaliada ao longo de todo o seu percurso.

Essa mudança de perspectiva tem levado a indústria a olhar com mais atenção para a origem dos materiais que utiliza.

O valor está na história completa

Quando uma embalagem chega às mãos do consumidor, ela representa apenas a etapa final de uma cadeia produtiva complexa.

Antes disso, houve a obtenção das matérias-primas, o processamento industrial, o transporte, a transformação em novos produtos e uma série de decisões relacionadas ao uso de recursos naturais e energéticos.

Por essa razão, cada vez mais empresas vêm adotando abordagens baseadas no ciclo de vida dos materiais, buscando compreender não apenas suas características técnicas, mas também os impactos associados à sua produção.

Essa visão mais abrangente permite identificar oportunidades de melhoria em toda a cadeia e contribui para decisões mais alinhadas aos compromissos de sustentabilidade assumidos pelas organizações.

Quando a origem faz diferença

A crescente demanda por materiais de fonte renovável está diretamente ligada a esse movimento.

Mais do que substituir uma matéria-prima por outra, trata-se de repensar a forma como os recursos são obtidos e transformados ao longo do processo produtivo.

No caso do I’m green™ bio-based, da Braskem, o carbono presente no polietileno tem origem em fonte renovável, ele é absorvido pela cana-de-açúcar durante seu cultivo, que também segue práticas responsáveis.

Essa característica insere o material em uma dinâmica diferente daquela tradicionalmente associada às matérias-primas fósseis e reforça a importância de analisar a cadeia produtiva de maneira integrada.

Eficiência também é parte da sustentabilidade

Outro aspecto cada vez mais relevante nas avaliações de sustentabilidade está relacionado à eficiência dos processos.

Não basta considerar apenas a origem de um recurso. É necessário compreender como ele é utilizado ao longo da produção e de que forma os diferentes elementos da cadeia interagem entre si.

Na cadeia sucroenergética, por exemplo, o aproveitamento dos co-produtos gerados durante o processamento da cana-de-açúcar, como o bagaço, o melaço e a vinhaça, contribui para uma utilização mais eficiente dos recursos disponíveis. Essa integração entre diferentes etapas do processo reduz desperdícios e fortalece uma lógica produtiva baseada no melhor aproveitamento dos insumos gerados ao longo da própria cadeia.

Sob a perspectiva industrial, esse modelo demonstra como inovação e eficiência podem caminhar juntas na construção de soluções mais sustentáveis.

Sustentabilidade, desempenho e escala

Um dos principais desafios da indústria contemporânea consiste em equilibrar três fatores que nem sempre caminham juntos: desempenho, sustentabilidade e viabilidade em escala.

Durante muito tempo, acreditou-se que materiais de menor impacto ambiental exigiriam concessões em termos de produtividade, qualidade ou competitividade.

Hoje, a evolução tecnológica tem mostrado que essa relação pode ser diferente.

No caso do polietileno I’m green™ bio-based, as propriedades do material permitem sua utilização em diversas aplicações mantendo os padrões de desempenho exigidos pelo mercado, ao mesmo tempo em que oferecem uma alternativa baseada em recursos renováveis.

Essa combinação é particularmente relevante para empresas que buscam avançar em suas metas de sustentabilidade sem abrir mão da eficiência operacional e da qualidade dos produtos que oferecem.

Uma nova forma de avaliar valor

O conceito de valor está passando por uma transformação.

Se antes ele era medido quase exclusivamente por atributos técnicos, desempenho ou custo, agora incorpora também fatores relacionados à origem dos recursos, à transparência das cadeias produtivas e à capacidade de gerar impactos positivos ao longo do ciclo de vida.

Nesse contexto, compreender a trajetória completa de um material torna-se tão importante quanto conhecer suas especificações técnicas.

A embalagem que chega à gôndola continua desempenhando sua função de proteger, conservar e comunicar. Mas ela também passa a representar uma história mais ampla — uma história construída por decisões tomadas muito antes da fabricação do produto final.

E é justamente nessa jornada, que começa na escolha das matérias-primas e percorre toda a cadeia de valor, que a indústria está redefinindo o significado de inovação sustentável.

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Autora
Cristina Banaskiwitz
Diretora & Publisher da Pack. Cobre o mercado de embalagens brasileiro há mais de uma década, com foco em alimentos, bebidas e tecnologia industrial.

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