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Nova norma ISO amplia o papel estratégico das embalagens na cadeia da saúde

Especificação em desenvolvimento estabelece diretrizes para recebimento, transporte e armazenamento de dispositivos médicos estéreis

Por

Cristina Banaskiwitz

·

13 de julho de 2026

·

3 minutos

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Foto: Ecolab

A Organização Internacional de Normalização (ISO) está desenvolvendo uma nova especificação técnica voltada à segurança de embalagens para dispositivos médicos esterilizados. A futura ISO/TS 20327 estabelecerá orientações para o recebimento, transporte, manuseio, distribuição e armazenamento de produtos médicos estéreis sob responsabilidade das instituições de saúde.

O objetivo é reduzir os riscos de contaminação ao longo da cadeia logística hospitalar e contribuir para a diminuição das infecções relacionadas à assistência à saúde (IRAS), um dos principais desafios dos sistemas hospitalares em todo o mundo.

A iniciativa parte do reconhecimento de que a segurança de um dispositivo médico não depende apenas do processo de esterilização, mas também da capacidade da embalagem de preservar a integridade da barreira estéril até o momento do uso.

Segundo dados dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), cerca de um em cada 31 pacientes hospitalizados apresenta pelo menos uma infecção relacionada à assistência à saúde, evidenciando a importância de protocolos adequados de armazenamento, transporte e manipulação.

A nova especificação também deverá orientar fabricantes de dispositivos médicos no desenvolvimento de sistemas de embalagem capazes de suportar as condições reais de uso dentro dos hospitais, reduzindo riscos de danos físicos, perfurações e contaminação durante toda a cadeia logística.

Outro aspecto discutido durante o desenvolvimento da norma é o equilíbrio entre proteção e sustentabilidade. O setor busca reduzir camadas desnecessárias de embalagem sem comprometer a segurança microbiológica dos produtos, um desafio que exige soluções de engenharia cada vez mais sofisticadas.


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Durante muitos anos, a embalagem para dispositivos médicos foi vista principalmente como um componente de proteção.

Hoje, ela passa a ser reconhecida como parte integrante da estratégia de segurança do paciente.

A futura ISO/TS 20327 reforça uma mudança importante de perspectiva: preservar a esterilidade não depende apenas do processo de fabricação, mas de toda a jornada da embalagem, desde o fabricante até o momento em que o produto chega às mãos da equipe de saúde.

Esse movimento amplia a responsabilidade da indústria de embalagens, que passa a desenvolver soluções considerando não apenas materiais e barreiras estéreis, mas também as condições reais de transporte, armazenamento e manuseio dentro dos hospitais.

Ao mesmo tempo, a norma evidencia um dos maiores desafios do setor: equilibrar segurança e sustentabilidade. Reduzir materiais é uma demanda crescente, mas isso não pode comprometer a integridade da embalagem nem aumentar os riscos de contaminação.

Mais do que proteger um produto, a embalagem passa a proteger um procedimento clínico e, em última análise, a segurança do paciente.

Autora
Cristina Banaskiwitz
Diretora & Publisher da Pack. Cobre o mercado de embalagens brasileiro há mais de uma década, com foco em alimentos, bebidas e tecnologia industrial.

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