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PET ganha espaço com reciclagem, inovação e novas regras

Uma cadeia de reciclagem já estruturada

25 de agosto de 2026

·

2 min

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Em 2024, cerca de 410 mil toneladas de embalagens PET pós-consumo foram recicladas no Brasil

Reciclagem estruturada, redução de peso e metas de conteúdo reciclado reforçam a posição da embalagem na indústria de bebidas e alimentos.

A embalagem PET já não compete apenas por custo e conveniência. Reciclagem, disponibilidade de matéria-prima, redução de peso e capacidade de incorporar conteúdo reciclado passaram a pesar cada vez mais nas decisões de fabricantes e marcas.

Essa combinação ajuda a explicar a presença do PET em diferentes categorias de alimentos e bebidas. Segundo dados apresentados pela ABIPET, o material responde por mais de 95% das embalagens de água mineral e óleo comestível, cerca de 70% dos refrigerantes e já alcança participação relevante em categorias como maionese, chás e sucos prontos para beber.

No caso dos sucos, por exemplo, a participação do PET passou de praticamente inexistente para cerca de 40% do volume comercializado no Brasil em 25 anos.

Uma cadeia de reciclagem já estruturada

Um dos principais argumentos competitivos do PET está na infraestrutura criada em torno de sua recuperação e reciclagem.

Em 2024, cerca de 410 mil toneladas de embalagens PET pós-consumo foram recicladas no Brasil, segundo a ABIPET. A entidade informa ainda que 53% das embalagens descartadas pelos consumidores foram recicladas.

Outro movimento importante é o retorno do material para a própria cadeia de embalagens. Dados da associação apontam que uma parcela relevante do PET reciclado é direcionada para a produção de novas preformas e embalagens, fortalecendo o modelo bottle-to-bottle.

Essa infraestrutura passa a ter ainda mais importância diante da evolução das exigências regulatórias.

O impacto do novo marco regulatório

O Decreto nº 12.688/2025 instituiu o sistema de logística reversa de embalagens plásticas e estabeleceu metas nacionais tanto para a recuperação das embalagens quanto para a incorporação de material reciclado.

Para o conteúdo reciclado, a meta começa em 22% em 2026 e aumenta gradualmente até atingir 40% em 2040. As metas são obrigatórias para fabricantes e importadores, com início em janeiro de 2026 para empresas de grande porte e em julho de 2026 para pequenas e médias empresas.

Há, porém, uma ressalva importante: o próprio decreto determina que as metas de conteúdo reciclado não se aplicam às embalagens que possuem regulamentação específica, inclusive embalagens de alimentos. Portanto, essa questão precisa ser analisada de acordo com cada aplicação e sua regulamentação específica.

Menos material, mesma função

A evolução do PET também acontece no próprio desenho da embalagem.

O lightweighting vem permitindo reduzir a quantidade de resina utilizada sem comprometer os requisitos de resistência e segurança. Segundo os dados apresentados pela ABIPET, entre 2000 e 2025 o peso médio de uma garrafa PET de 500 ml caiu 65%, enquanto uma embalagem de 1,5 litro ficou 54% mais leve.

A redução tem efeito em toda a cadeia: menos matéria-prima, menor peso transportado e maior eficiência logística.

É uma equação que interessa tanto ao fabricante quanto ao brand owner: usar menos material sem perder desempenho.

O próximo desafio está na coleta

Apesar dos avanços na capacidade de reciclagem, existe um gargalo importante entre a capacidade instalada e a disponibilidade de material pós-consumo.

Segundo a ABIPET, o Brasil possui capacidade instalada para produzir cerca de 510 mil toneladas de PET reciclado por ano, enquanto o volume de embalagens recicladas informado pela entidade foi de aproximadamente 410 mil toneladas em 2024.

O problema, portanto, não está apenas na capacidade industrial de reciclar. A disponibilidade, qualidade e custo do material coletado continuam sendo fatores determinantes.

A expansão da coleta seletiva e a eficiência dos sistemas de logística reversa passam a ser fundamentais para que a capacidade instalada seja efetivamente utilizada.

De embalagem a infraestrutura circular

O PET chega a uma nova fase de sua evolução. A discussão deixou de estar concentrada apenas na substituição de materiais e passou a envolver desempenho, peso, disponibilidade de resina, reciclagem, conteúdo reciclado e eficiência da cadeia.

Para a indústria de embalagens, isso muda a lógica da decisão.

A competitividade do PET daqui para frente não será determinada apenas pelo material que entra na fábrica, mas também pela capacidade de fazer esse material retornar à cadeia produtiva.

Autora
Cristina Banaskiwitz
Diretora & Publisher da Pack. Cobre o mercado de embalagens brasileiro há mais de uma década, com foco em alimentos, bebidas e tecnologia industrial.

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