Caso Bunny mostra como a velocidade das redes sociais pode colocar produtos cosméticos no mercado antes que a cadeia regulatória consiga validar sua regularização
Um produto pode viralizar em poucas horas. A regulação sanitária não funciona na mesma velocidade — e o caso recente da marca Bunny mostra o tamanho do problema.
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) proibiu, em 27 de agosto, 37 produtos da marca, comercializados pela internet sem regularização sanitária junto à Agência. A determinação inclui apreensão e proibição de fabricação, distribuição, venda, divulgação e uso dos itens.
Entre os produtos estão body splashes, géis de banho, hidratantes, esfoliantes, manteigas corporais, difusores, sprays para ambientes e pillow mists. Ou seja, uma linha ampla, com produtos destinados tanto ao cuidado pessoal quanto ao ambiente.
O problema começa antes da fórmula
Neste caso, a questão central apontada pela Anvisa não foi a identificação de uma substância específica como responsável pela proibição. Os produtos não estavam regularizados junto à Agência.
E aqui está um ponto importante para a indústria: “não precisar de registro” não significa “não precisar de regularização”.
A Anvisa estabelece categorias de cosméticos que são isentas de registro, mas que devem passar pelo processo de notificação. Já produtos considerados de maior risco, como protetores solares, repelentes e determinados produtos para cabelos, estão entre os que exigem registro.
É uma diferença técnica que pode parecer pequena para o consumidor, mas é fundamental para quem fabrica, importa, distribui ou coloca um produto no mercado.
A embalagem também entra nessa conversa
Para a indústria de embalagens, o episódio traz uma discussão que vai além da estética.
Cosméticos que chegam ao consumidor precisam carregar informações que permitam sua identificação e rastreabilidade. A própria Anvisa orienta que a consulta sobre a situação de um produto pode ser feita a partir de informações como nome, marca, CNPJ, número de registro ou número do processo de regularização.
Isso coloca embalagem, rotulagem e conformidade no mesmo ecossistema.
Não basta uma embalagem ser visualmente atraente, adequada ao produto e preparada para ganhar espaço nas redes sociais. Ela também precisa fazer parte de uma cadeia em que origem, fabricante, regularização e informações ao consumidor estejam devidamente estabelecidas.
O novo desafio da indústria
O caso Bunny acontece em um momento em que a indústria de beleza se tornou particularmente rápida.
Marcas digitais conseguem testar conceitos, lançar produtos e conquistar audiência em uma velocidade que os modelos tradicionais de desenvolvimento de marcas dificilmente acompanhavam.
O problema aparece quando a velocidade comercial ultrapassa os processos necessários para colocar um produto de forma regular no mercado.
Para a indústria, fica uma lição simples:
viralizar é marketing. Regularizar é responsabilidade.
E, no mercado de cosméticos, os dois precisam acontecer antes que o produto chegue às mãos do consumidor.
A Anvisa mantém uma ferramenta pública para consulta de cosméticos registrados e de produtos isentos de registro/notificados.
