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Quando a viralização chega antes da regulação

O novo desafio da indústria de cosméticos

31 de agosto de 2026

·

2 min

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Anvisa proibe cosmétcos Bunny por falta de regulamentação

Anvisa proibe cosmétcos Bunny por falta de regulamentação

Caso Bunny mostra como a velocidade das redes sociais pode colocar produtos cosméticos no mercado antes que a cadeia regulatória consiga validar sua regularização

Um produto pode viralizar em poucas horas. A regulação sanitária não funciona na mesma velocidade — e o caso recente da marca Bunny mostra o tamanho do problema.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) proibiu, em 27 de agosto, 37 produtos da marca, comercializados pela internet sem regularização sanitária junto à Agência. A determinação inclui apreensão e proibição de fabricação, distribuição, venda, divulgação e uso dos itens.

Entre os produtos estão body splashes, géis de banho, hidratantes, esfoliantes, manteigas corporais, difusores, sprays para ambientes e pillow mists. Ou seja, uma linha ampla, com produtos destinados tanto ao cuidado pessoal quanto ao ambiente.

O problema começa antes da fórmula

Neste caso, a questão central apontada pela Anvisa não foi a identificação de uma substância específica como responsável pela proibição. Os produtos não estavam regularizados junto à Agência.

E aqui está um ponto importante para a indústria: “não precisar de registro” não significa “não precisar de regularização”.

A Anvisa estabelece categorias de cosméticos que são isentas de registro, mas que devem passar pelo processo de notificação. Já produtos considerados de maior risco, como protetores solares, repelentes e determinados produtos para cabelos, estão entre os que exigem registro.

É uma diferença técnica que pode parecer pequena para o consumidor, mas é fundamental para quem fabrica, importa, distribui ou coloca um produto no mercado.

A embalagem também entra nessa conversa

Para a indústria de embalagens, o episódio traz uma discussão que vai além da estética.

Cosméticos que chegam ao consumidor precisam carregar informações que permitam sua identificação e rastreabilidade. A própria Anvisa orienta que a consulta sobre a situação de um produto pode ser feita a partir de informações como nome, marca, CNPJ, número de registro ou número do processo de regularização.

Isso coloca embalagem, rotulagem e conformidade no mesmo ecossistema.

Não basta uma embalagem ser visualmente atraente, adequada ao produto e preparada para ganhar espaço nas redes sociais. Ela também precisa fazer parte de uma cadeia em que origem, fabricante, regularização e informações ao consumidor estejam devidamente estabelecidas.

O novo desafio da indústria

O caso Bunny acontece em um momento em que a indústria de beleza se tornou particularmente rápida.

Marcas digitais conseguem testar conceitos, lançar produtos e conquistar audiência em uma velocidade que os modelos tradicionais de desenvolvimento de marcas dificilmente acompanhavam.

O problema aparece quando a velocidade comercial ultrapassa os processos necessários para colocar um produto de forma regular no mercado.

Para a indústria, fica uma lição simples:

viralizar é marketing. Regularizar é responsabilidade.

E, no mercado de cosméticos, os dois precisam acontecer antes que o produto chegue às mãos do consumidor.

A Anvisa mantém uma ferramenta pública para consulta de cosméticos registrados e de produtos isentos de registro/notificados.

Autora
Cristina Banaskiwitz
Diretora & Publisher da Pack. Cobre o mercado de embalagens brasileiro há mais de uma década, com foco em alimentos, bebidas e tecnologia industrial.

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