Com alta umidade e exigências específicas de conservação, massas frescas desafiam fabricantes de embalagens a combinar barreira, desempenho no processo e redução do uso de materiais
Massas frescas como nhoque, ravióli, massas recheadas e noodles vêm ganhando espaço no mercado de alimentos refrigerados, acompanhando a demanda por refeições práticas, mas sem abrir mão de qualidade e variedade.
O movimento também amplia os desafios para as embalagens. O elevado teor de umidade desses produtos exige estruturas capazes de preservar o alimento e garantir vida de prateleira, ao mesmo tempo em que fabricantes precisam lidar com custos, requisitos regulatórios e metas de redução de materiais.
É nesse cenário que ganham espaço os conceitos de embalagem desenvolvidos segundo princípios de Design for Recycling (DfR) e as estruturas monomateriais.
Segundo a SÜDPACK, o mercado global de massas frescas refrigeradas movimenta atualmente entre US$ 9 bilhões e US$ 11 bilhões e poderá alcançar US$ 19,5 bilhões até 2033. A expansão do segmento vem acompanhada de novas demandas para as embalagens, especialmente em relação ao equilíbrio entre proteção do produto, funcionalidade, custo e adequação às regulamentações.
Custo da embalagem vai além do preço do material
Na avaliação de uma solução de embalagem, o preço do filme é apenas uma parte da equação. A análise precisa considerar o desempenho durante todo o ciclo de vida, incluindo processamento, proteção do produto, logística e destinação pós-consumo.
Estruturas que utilizam menos material e são desenvolvidas de acordo com princípios de Design for Recycling podem, dependendo do mercado e do modelo de cobrança adotado, contribuir para uma redução de custos relacionados à responsabilidade pós-consumo.
Esse aspecto ganha relevância com a evolução das políticas de responsabilidade estendida do produtor (EPR) e dos modelos de cobrança associados à reciclabilidade das embalagens.
Ao mesmo tempo, reduzir material não pode significar comprometer a proteção do alimento. Para massas frescas, os filmes precisam atender a requisitos de barreira, resistência mecânica, selagem e processabilidade, incluindo resistência térmica em aplicações que passam por pasteurização.
Coextrusão permite combinar diferentes propriedades
Uma das tecnologias destacadas pela SÜDPACK é a coextrusão, processo que permite combinar diferentes camadas funcionais em uma única estrutura.
A tecnologia possibilita ajustar propriedades como barreira, resistência mecânica, desempenho de selagem e processabilidade de acordo com a aplicação.
Em comparação com estruturas laminadas, filmes coextrudados de alto desempenho podem, em determinadas aplicações, atingir as características necessárias com menores espessuras. Na prática, isso abre espaço para embalagens mais leves, com menor consumo de matéria-prima e potencial redução de custos e emissões associadas à produção do material.
A empresa oferece soluções para diferentes necessidades, desde massas pasteurizadas e produtos não submetidos a tratamento térmico até aplicações refrigeradas e produtos com maior vida de prateleira.
Flow pack monomaterial para nhoque e massas recheadas
Entre as alternativas está o CarbonLite® Flow Pack PurePP, desenvolvido para aplicações como nhoque, Spätzle e massas recheadas.
Diferentemente de embalagens baseadas em bandeja, que utilizam uma estrutura inferior e outra superior, o flow pack é produzido a partir de uma única bobina de filme. Além de simplificar aspectos de produção e logística, a configuração reduz o peso da embalagem.
Segundo a SÜDPACK, o filme é uma solução monomaterial à base de PP, desenvolvida de acordo com princípios de Design for Recycling e destinada à reciclagem nas correntes existentes de PP.
Em uma aplicação apresentada pela empresa, a substituição de uma estrutura anterior de PA/PP reduziu em mais de 20% o consumo de material. Considerando 10 milhões de embalagens, a economia representou mais de 15 toneladas de material de embalagem, sem comprometer a proteção do produto.
Termoformagem para produtos maiores
Para produtos como massas recheadas e raviólis, outra possibilidade são as estruturas termoformadas à base de PP.
O conceito Multifol®, baseado em filme flexível, utiliza vácuo para manter o produto posicionado dentro da embalagem. Isso permite diferentes formas de apresentação no ponto de venda, incluindo a disposição vertical, suspensa ou horizontal.
A solução também segue o conceito de monomaterial PP e os princípios de Design for Recycling.
Dependendo da aplicação, a SÜDPACK também disponibiliza filmes rígidos à base de PP, inclusive versões com tampa peelable, que facilita a abertura e acrescenta conveniência ao consumidor.
O desafio está na transição
A adoção de estruturas mais recicláveis não termina na escolha de um novo filme. A mudança precisa funcionar também dentro da fábrica.
Como o novo material se comportará nas máquinas existentes? Será necessário alterar parâmetros de processamento? A proteção do produto será mantida? Qual será o impacto sobre o consumo de material e os custos totais?
São questões que fazem com que a migração para novas estruturas seja também um projeto de engenharia.
Nesse processo, a SÜDPACK afirma atuar desde as etapas iniciais de desenvolvimento até a implementação industrial, oferecendo amostras específicas para cada aplicação, suporte de engenharia, testes e validação em equipamentos especializados, além de avaliações de CO₂ e reciclabilidade.
A lógica é reduzir os riscos da transição e permitir que novas soluções de embalagem sejam incorporadas aos processos produtivos existentes com desempenho confiável.
Para o mercado de massas frescas, portanto, o desafio não está apenas em desenvolver uma embalagem reciclável. Está em encontrar uma estrutura que consiga reunir proteção, eficiência de material, desempenho industrial, custo e reciclabilidade em uma mesma solução.
