Estratégia permite que marcas testem produtos, lancem edições limitadas e reduzam riscos antes de avançar para grandes volumes
A indústria da beleza está mudando a forma como lança produtos — e essa transformação já começa a aparecer na cadeia de embalagens.
Em um mercado com maior diversidade de marcas, produtos e lançamentos, as pequenas tiragens vêm sendo utilizadas para testar novos conceitos, avaliar a resposta dos consumidores e reduzir o risco de investir imediatamente em grandes volumes.
Segundo dados da Packster, empresa de embalagens com impressão digital do grupo Zaraplast, o volume de pedidos de pequenas tiragens para marcas de cosméticos cresceu 93% em 2025, na comparação com o ano anterior. No mesmo período, a quantidade média de embalagens por pedido aumentou 51%.
Os números apontam para uma mudança importante: a pequena tiragem deixa de ser apenas uma alternativa para lançamentos experimentais e passa a fazer parte da estratégia de produção e gestão de estoque das marcas.
Mais produtos, lotes menores
O movimento acompanha a expansão do mercado brasileiro de beleza. Segundo dados citados pela Abihpec, o setor movimentou R$ 200 bilhões em 2025 e registrou 7.359 produtos lançados no período.
Nesse ambiente, a velocidade de desenvolvimento e lançamento ganha importância. Marcas nativas digitais e startups, por exemplo, podem começar com volumes menores enquanto avaliam a aceitação de um produto.
De acordo com Jack Strimber, CEO da Packster, pedidos podem envolver volumes de apenas 500, 1.000 ou 2.500 unidades, especialmente para marcas que precisam responder rapidamente a tendências e mudanças de comportamento.
Mas a estratégia não está restrita a empresas novas.
Pequenas tiragens também chegam às grandes marcas
Marcas já estabelecidas passaram a utilizar volumes menores para edições limitadas, produtos sazonais e ações de co-branding, segundo a empresa.
A lógica muda a relação entre embalagem e lançamento. Em vez de produzir grandes quantidades antes de conhecer a resposta do mercado, as marcas podem testar diferentes versões e ampliar a produção de acordo com o desempenho do produto.
Categorias como skincare e cuidados capilares estão entre as que mais demandam esse tipo de solução, segundo a Packster.
O movimento também começa a alcançar outros segmentos, como suplementos clean label, snacks, alimentos funcionais e pet food premium. Nesses mercados, o Stand Up Pouch aparece como um dos formatos mais procurados pela empresa.
De um produto para três
A mudança também pode ser observada na quantidade de produtos desenvolvidos pelas marcas.
Segundo a Packster, clientes que chegaram à empresa inicialmente com um único produto têm hoje, em média, três SKUs. Ao mesmo tempo, o intervalo médio entre pedidos caiu de 90 para 45 dias nos últimos dois anos.
Na avaliação de Strimber, isso indica que a pequena tiragem passou a ser utilizada também como instrumento de gestão de estoque.
A consequência é uma cadeia mais orientada à velocidade: produzir menos unidades por vez, testar, ajustar e voltar ao mercado em ciclos mais curtos.
Para a indústria de embalagens, o movimento cria uma demanda por soluções que consigam combinar flexibilidade, qualidade de impressão, velocidade e viabilidade econômica em volumes menores.
E talvez esse seja o ponto mais interessante da notícia: não é apenas uma mudança na quantidade de embalagens produzidas. É uma mudança na maneira como as marcas estão planejando seus lançamentos e administrando o risco de colocar novos produtos no mercado.
