Por muito tempo, “plástico verde” foi sinônimo de substituição: trocar a origem fóssil pela renovável mantendo as mesmas propriedades. A rodada de lançamentos que a Braskem apresentou na K 2025, maior feira de plásticos e borracha do mundo, em Düsseldorf, muda esse enquadramento. Sob seu portfólio sustentável, a companhia revelou lançamentos de produtos e parcerias que levam sustentabilidade e inovação a embalagens, saúde, higiene e bens de consumo. O gancho aqui não é mais “tão bom quanto o fóssil”, é liderança técnica em nichos de alta performance.
PEAD para não-tecidos: resolvendo o trade-off da fibra contínua
A Braskem introduziu um polietileno de alta densidade I’m green™ bio-based desenvolvido especificamente para o mercado de não-tecidos, voltado a aplicações de higiene e fibras bicomponentes como fraldas descartáveis. O desafio técnico do segmento é conhecido: processos de fiação contínua (spunbond) exigem resina com baixíssima variabilidade, porque qualquer defeito de gel se propaga em falhas de filamento ao longo de toda a linha de produção.
A grade entrega baixos níveis de gel, excelente estabilidade de processamento, resistência térmica aprimorada e boa estabilidade de cor, com desempenho consistente tanto em processos de spunbond bicomponente quanto minicomponente, ou seja, funciona nas duas arquiteturas de fibra mais comuns do segmento de higiene, sem exigir requalificação de linha. Segundo estudo de Avaliação de Ciclo de Vida atualizado em 2023, o material carrega uma pegada de carbono de -2,01 kgCO₂e por kg.
EVA 21% VA: maciez sem abrir mão da performance
A Braskem também apresentou o EVA 21%, uma espuma bio-based com 21% de acetato de vinila, que oferece maciez e flexibilidade superiores, ideal para solados e palmilhas de calçados. O teor de VA é a variável que governa esse comportamento: quanto mais acetato de vinila na cadeia, menor a cristalinidade do polímero e maior sua flexibilidade e capacidade de absorção de impacto, só que normalmente às custas de resistência mecânica. Elevar o VA para 21% mantendo processabilidade e desempenho é o ajuste fino que diferencia esta grade das formulações EVA convencionais de menor teor.
A aplicação já saiu do laboratório: a Veja, marca francesa de calçados e acessórios, desenvolveu um tênis com camadas internas feitas com materiais I’m green™ bio-based, prova de conceito de que o material sustenta design premium sem concessões de performance.
Filmes MDO: a barreira técnica que caiu
O terceiro avanço é, talvez, o mais estrutural. O avanço técnico mais significativo da Braskem envolveu o processamento de filme orientado na direção da máquina (MDO) usando polietileno derivado de etanol de cana-de-açúcar brasileira, tecnologia que tradicionalmente exigia matérias-primas de origem petroquímica para atingir as propriedades mecânicas necessárias.
Essa nova aplicação de tecnologia MDO entrega maior rigidez, propriedades ópticas aprimoradas e reciclabilidade, viabilizando embalagens monomateriais como flow packs, rótulos MDO e stand-up pouches. Na prática, isso resolve um dos maiores gargalos da reciclagem de embalagens flexíveis: estruturas multicamada que combinam materiais diferentes para ganhar barreira e resistência, mas que se tornam quase impossíveis de reciclar. Um filme MDO monomaterial em PE bio-based entrega a mesma função de barreira e resistência com um único polímero reciclável em uma cadeia já estabelecida.
O processo de orientação segue um procedimento controlado de quatro estágios: pré-aquecimento até a temperatura ideal, estiramento do filme em até dez vezes seu comprimento original através de rolos operando em velocidades variáveis para criar o alinhamento molecular desejado, recozimento sob tensão para eliminar tensões internas, e resfriamento até a temperatura ambiente. Os filmes foram desenvolvidos em parceria com a Cazoolo, laboratório de design de embalagens circulares da Braskem, e a convertedora FCO Group.
