Depois de anos concentrada na garrafa de PET, a otimização de embalagens avança para o rótulo. Rótulos parciais em linhas roll-fed prometem menos filme e mais espaço para o design, mas exigem atenção às regras brasileiras
Nas últimas décadas, a indústria de bebidas reduziu o peso da garrafa de PET em praticamente todas as suas partes: gargalo, corpo e base. O rótulo, porém, ficou de fora dessa conta. Em grande parte das linhas de alto volume, ele continua envolvendo toda a circunferência da garrafa.
Esse cenário começa a mudar com a aplicação de rótulos parciais em sistemas roll-fed, tecnologia que a Sidel apresentou recentemente com a plataforma EvoDECO Next.
Como funciona a rotulagem roll-fed
Na rotulagem roll-fed, o rótulo chega à máquina em bobinas de filme, geralmente de BOPP (polipropileno biorientado). O filme é cortado no tamanho certo, recebe adesivo e é aplicado à garrafa em alta velocidade. O sistema é muito usado em águas, refrigerantes e sucos, justamente pela produtividade e pelo custo do material.
Até aqui, esse processo foi associado quase sempre ao rótulo envolvente, o chamado wraparound, que dá a volta completa na garrafa. Rótulos parciais existiam, mas normalmente em outras tecnologias de rotulagem.
Quanto material se economiza
Segundo a Sidel, dependendo do formato escolhido, o rótulo parcial pode reduzir a superfície do rótulo em até 75% em relação ao envolvente. Esse valor corresponde a um rótulo que cobre 90° da garrafa. Um rótulo que cobre metade da circunferência, ou 180°, reduz a área em 50%.
Em linhas de grande volume, a diferença se multiplica. Em um exemplo calculado pela fabricante, a troca de um rótulo envolvente por um rótulo parcial de 90° reduziu o consumo de BOPP em 208,4 toneladas por ano, evitou cerca de 346 toneladas de CO₂ e gerou economia anual aproximada de 723 mil euros em matéria-prima. Os resultados variam conforme o volume, o formato e o material de cada operação.
Os desafios técnicos de um rótulo mais curto
Aplicar rótulos menores em alta velocidade não é apenas uma questão de cortar o filme mais curto. Três pontos são críticos:
- Corte: rótulos curtos exigem cortes mais frequentes e mais rápidos. Na solução da Sidel, o sistema de corte fica no próprio tambor de transferência, com um cortador rotativo de duas lâminas.
- Troca de bobina: a emenda entre uma bobina e outra costuma reduzir a velocidade da linha. Um acumulador de filme permite fazer a emenda sem desacelerar a produção.
- Registro do rótulo: tradicionalmente, a máquina usa marcas de registro impressas no filme para posicionar cada corte, o que exige uma área livre ao redor delas. Sistemas de visão que reconhecem o próprio desenho do rótulo dispensam essas marcas e liberam mais espaço no filme.
Outro ponto sensível é o adesivo. Menos contaminação por cola nas superfícies da máquina significa menos paradas para limpeza e maior tempo de operação contínua.
O que considerar no Brasil
Para as indústrias brasileiras, a rotulagem parcial traz oportunidades, mas também questões práticas:
- Espaço para as informações obrigatórias: a legislação brasileira exige que o rótulo traga, entre outros itens, a lista de ingredientes, a tabela nutricional e, em muitos casos, a rotulagem nutricional frontal, com a lupa definida pela Anvisa. Com menos área disponível, o projeto gráfico precisa garantir que tudo caiba de forma legível e em conformidade.
- A garrafa vira vitrine: com mais PET à mostra, o formato do vasilhame, a transparência do material e a aparência do próprio produto passam a fazer parte da identidade visual. Isso exige mais cuidado no design da garrafa e no controle de qualidade do sopro.
- Reciclagem: o Brasil tem uma cadeia consolidada de reciclagem de PET. Um rótulo menor significa menos material a ser separado no processo, o que tende a favorecer a qualidade do reciclado.
- Custo e escala: a economia de filme é mais relevante em linhas de grande volume, como águas e refrigerantes, em que pequenas reduções por unidade se transformam em toneladas por ano.
A otimização da embalagem, portanto, deixa de olhar só para a garrafa e passa a considerar o conjunto. O rótulo, que por muito tempo foi tratado apenas como superfície de comunicação, entra de vez na equação de material, custo e sustentabilidade.
Com informações da Sidel.
