A validade longa ainda costuma ser associada pelo consumidor à presença de conservantes. Mas, em determinados alimentos, a combinação entre processamento térmico, embalagem e controle de qualidade permite que o produto permaneça seguro por meses em temperatura ambiente sem a adição desses aditivos.
É o caso de algumas refeições prontas, como as novas sopas e bowls da Papapá, foodtech brasileira especializada em alimentação infantil. Segundo Gisele de Carvalho Döll, Head de Pesquisa & Desenvolvimento da empresa, três fatores são fundamentais para entender como isso funciona.
1. O tratamento térmico elimina os microrganismos
Um dos processos utilizados pela indústria é a esterilização comercial. Em escala industrial, o alimento é submetido, já embalado, a temperaturas de aproximadamente 121°C a 123°C, durante um período calculado e validado.
O objetivo é inativar microrganismos que poderiam causar deterioração ou representar riscos à segurança do alimento, incluindo formas mais resistentes, como esporos bacterianos.
O tratamento térmico pode afetar nutrientes mais sensíveis ao calor, como vitamina C e parte das vitaminas do complexo B. Proteínas, carboidratos, gorduras, fibras e minerais, por outro lado, permanecem praticamente preservados, segundo a especialista.
O desafio tecnológico está em encontrar a combinação adequada entre tempo e temperatura para garantir a segurança microbiológica sem comprometer características como sabor, textura, cor e qualidade nutricional.
2. A embalagem mantém o alimento protegido
Depois de eliminar os microrganismos, é preciso impedir que eles voltem a entrar em contato com o alimento.
É aí que a embalagem passa a ter um papel fundamental no sistema de conservação.
Hermeticamente fechada, ela funciona como uma barreira contra a entrada de novos microrganismos e também contra o oxigênio, ajudando a preservar características do produto durante o armazenamento.
Nas novas sopas e bowls da Papapá, a empresa combina esterilização comercial com embalagens herméticas BPA-free para permitir que refeições produzidas com ingredientes naturais permaneçam em temperatura ambiente por até 12 meses, sem adição de conservantes químicos.
Processo e embalagem, portanto, não trabalham separadamente.
3. A validade precisa ser comprovada
Existe ainda uma terceira camada menos visível para o consumidor: a validação e o controle de todo o processo.
Seleção de matérias-primas e fornecedores, monitoramento de tempo, temperatura e pressão, inspeção do fechamento das embalagens, análises microbiológicas e físico-químicas e rastreabilidade dos lotes fazem parte desse sistema.
É a combinação dessas barreiras que permite determinar a estabilidade e a segurança do alimento durante o período de validade.
O que a embalagem tem a ver com isso?
Mais do que simplesmente conter o produto, a embalagem participa diretamente da estratégia de conservação.
É um bom exemplo de como embalagem e tecnologia de alimentos estão cada vez mais integradas. O desempenho do produto depende não apenas da formulação ou do processamento, mas também da capacidade da embalagem de preservar aquilo que foi conquistado durante a fabricação.
Como destaca a especialista, validade longa não deve ser confundida automaticamente com qualidade nutricional. Para conhecer a composição de um produto, o consumidor deve consultar a lista de ingredientes e a tabela nutricional.
Fonte: Papapá
