Laboratório de design da companhia reduziu de quatro para dois anos o ciclo de desenvolvimento de projetos e já conectou mais de 1.100 empresas em quatro anos de operação.
O desenvolvimento de uma embalagem circular envolve muito mais do que escolher um novo material. É preciso avaliar design, desempenho, produção, logística, experiência de uso e, cada vez mais, as possibilidades de recuperação e reciclagem. É nesse ponto que o Cazoolo, laboratório de design de embalagens circulares da Braskem, vem concentrando sua atuação.
Em quatro anos de operação, o laboratório reduziu de quatro para dois anos o ciclo de desenvolvimento de embalagens em projetos realizados pelo Cazoolo, considerando o período entre o briefing e a chegada do produto à gôndola. Na fase inicial dos projetos, etapas que anteriormente poderiam consumir de 12 a 18 meses entre definição e prototipagem passaram a ser estruturadas em cerca de duas semanas, com protótipos concluídos em aproximadamente 45 dias.
A mudança está relacionada a um modelo de trabalho baseado na colaboração entre diferentes elos da cadeia. Design, engenharia, marketing, produção, transformadores e marcas participam da jornada desde as primeiras etapas, permitindo antecipar decisões técnicas e reduzir retrabalho.
“A principal transformação que o Cazoolo trouxe foi acelerar, de forma clara e objetiva, a conceituação de embalagens circulares”, afirma Pier Pesce, head do Cazoolo e líder de Desenvolvimento de Negócios em Economia Circular na Braskem.
Da ideia ao protótipo
Desde sua inauguração, o Cazoolo já conectou mais de 1.100 empresas em atividades de inovação e capacitação e participou do desenvolvimento de mais de 70 soluções.
A proposta atende diferentes perfis de empresas. Enquanto grandes companhias podem buscar competências complementares em materiais e prototipagem, empresas menores encontram no laboratório suporte para avaliar alternativas técnicas e estabelecer conexões com fornecedores da cadeia.
Um dos projetos desenvolvidos pelo laboratório envolveu Danone, Graham Packaging e Amazu. Em um sprint de cinco dias, o grupo trabalhou no redesenho de uma embalagem para bebidas lácteas utilizando a biomimética como referência. O resultado incorporou uma textura hexagonal inspirada na estrutura das colmeias.
Segundo os dados apresentados pela Braskem, a solução aumentou a eficiência estrutural da embalagem e possibilitou uma redução de 8% no peso, mantendo os requisitos de desempenho definidos para o projeto.
Circularidade começa no desenho
Um dos diferenciais do modelo está na incorporação de ferramentas de avaliação ambiental ainda na etapa de desenvolvimento.
Por meio do Circular Design Sprint, o Cazoolo combina conceitos de Design for Environment (DfE) e Avaliação de Ciclo de Vida (ACV) para comparar alternativas antes que o projeto avance para etapas mais complexas.
A análise considera aspectos como quantidade de material, desempenho, logística, experiência de uso e possibilidades de circularidade. A lógica é simples, mas estratégica: quanto mais cedo uma decisão é tomada, menor tende a ser o custo de mudar o projeto posteriormente.
Quando existe aderência técnica e comercial, os projetos também podem avaliar soluções do portfólio da Braskem, incluindo resinas e químicos com conteúdo reciclado, soluções biocirculares da plataforma Wenew e o polietileno de fonte renovável I’m green™ bio-based.
Próxima etapa: testar mais perto da realidade
Para os próximos anos, o Cazoolo pretende ampliar sua capacidade de testes e validações. Entre as frentes em avaliação está a evolução dos protótipos de baixa fidelidade, utilizados principalmente para validação visual e tátil, para modelos de alta fidelidade, produzidos com materiais e processos mais próximos daqueles utilizados na embalagem final.
Outra frente é a consolidação do laboratório como um centro de avaliação de reciclabilidade de embalagens.
O movimento acompanha uma demanda crescente da indústria por evidências de desempenho, reciclabilidade e viabilidade técnica, especialmente à medida que a circularidade deixa de ser apenas uma questão de posicionamento e passa a interferir diretamente nas decisões de desenvolvimento de produtos.
“Nosso próximo desafio é preservar a agilidade que construímos e ampliar a capacidade de testar soluções próximas das condições reais de produção”, afirma Pesce.
Para a indústria de embalagens, a mensagem que emerge dessa experiência é clara: circularidade não começa no fim da vida da embalagem. Começa na mesa de projeto.
