Pontos adesivos e alça de papel-cartão entram em teste para substituir o filme plástico que reúne garrafas PET
O filme termoencolhível é uma solução bastante conhecida para agrupar garrafas em multipacks. Mas e se fosse possível eliminar essa camada contínua de plástico e manter, ainda assim, a estabilidade necessária para transportar e carregar o conjunto?
É justamente essa possibilidade que a Coca-Cola e a Coca-Cola Europacific Partners (CCEP) estão colocando à prova na Europa.
Em um projeto-piloto realizado em lojas selecionadas da PENNY, na Alemanha, a empresa testa um novo formato de embalagem secundária para multipacks de seis garrafas PET de 1,25 litro. No lugar do filme, as garrafas são mantidas juntas por pontos adesivos estrategicamente posicionados, enquanto uma alça rígida de papel-cartão permite o transporte do conjunto.
Menos material, mas a mesma função
A proposta chama atenção porque não parte simplesmente da substituição de um material por outro.
O conceito procura reduzir a quantidade de material necessária para cumprir as funções essenciais da embalagem secundária: manter as garrafas agrupadas, garantir estabilidade durante a logística e permitir que o consumidor transporte o multipack.
É uma mudança de raciocínio importante para o desenvolvimento de embalagens.
Em vez de perguntar qual material pode substituir o filme, a questão passa a ser:
quanto material é realmente necessário para fazer o trabalho?
Os pontos adesivos são aplicados em locais específicos das garrafas, enquanto a alça de papel-cartão funciona como elemento de transporte. Segundo as informações divulgadas sobre o projeto, testes foram realizados para avaliar a estabilidade durante transporte e manuseio no varejo.
E o consumidor?
Aqui está uma das partes mais interessantes do teste.
A retirada do filme muda completamente a experiência de abertura do multipack. Em vez de simplesmente rasgar ou cortar a embalagem, o consumidor precisa separar as garrafas nos pontos de adesão, por meio de um movimento de torção ou puxando cuidadosamente as unidades.
Por isso, o projeto também incorpora comunicação visual e orientações nas lojas para explicar o funcionamento da solução. Afinal, uma embalagem pode ser tecnicamente eficiente, mas precisa ser igualmente intuitiva para quem vai utilizá-la.
Depois da separação, a alça de papel-cartão pode seguir para a reciclagem de papel e papelão, enquanto as garrafas PET continuam nos sistemas de coleta e reciclagem disponíveis em cada mercado.
O verdadeiro teste acontece fora da prateleira
Para a indústria de bebidas, eliminar o filme é apenas uma parte do desafio.
A solução precisa funcionar na linha de produção, no transporte, na distribuição, no estoque, na exposição e finalmente nas mãos do consumidor.
É por isso que o piloto é relevante. A Coca-Cola está avaliando não apenas a redução de material plástico, mas também estabilidade, manuseio, logística e aceitação do consumidor.
A iniciativa também se insere em um movimento mais amplo da indústria de bebidas para repensar as embalagens secundárias. A Coca-Cola já trabalha na Europa com outras alternativas ao filme plástico, como soluções de papel-cartão para multipacks.
O que está em teste, portanto, não é apenas uma nova forma de agrupar garrafas. É uma mudança na própria lógica da embalagem secundária: usar menos material sem abrir mão da função.
E esse talvez seja um dos caminhos mais interessantes da inovação em embalagens.
Curadoria PACK | Fontes: Coca-Cola, Packaging Journal, Packaging Europe e ThePackHub
