Análises laboratoriais ajudam a identificar alterações químicas e microbiológicas, acompanhar efluentes e orientar decisões sobre resíduos e áreas potencialmente contaminadas.
A ausência de alterações visíveis no solo ou na água não significa que esses recursos estejam livres de contaminação. Em ambientes industriais, agroindustriais e áreas produtivas, a identificação de determinados riscos depende de análises laboratoriais capazes de detectar mudanças na composição química e microbiológica que não podem ser percebidas a olho nu.
O tema ganha relevância para empresas que precisam controlar seus impactos ambientais, gerenciar resíduos e efluentes e acompanhar as condições das áreas utilizadas em suas operações. Para a indústria de embalagens, essa discussão envolve desde o tratamento de águas residuais até o gerenciamento de materiais descartados e o acompanhamento de áreas industriais.
Dados da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (CETESB), publicados em seu Relatório da Administração e de Sustentabilidade de 2024, indicam que 12,6% das áreas contaminadas cadastradas no estado apresentavam risco confirmado, enquanto outras 20,4% estavam em processo de remediação. Os percentuais evidenciam a importância de identificar e avaliar situações que podem exigir medidas de controle ou recuperação ambiental.
Na gestão dos recursos hídricos, a Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) também destaca que a aparência da água não é suficiente para determinar sua qualidade. A avaliação depende de parâmetros físicos, químicos e biológicos, obtidos por meio de coletas e análises sistemáticas.
Análises que apoiam o controle da operação
A análise laboratorial permite investigar diferentes aspectos ambientais, como a presença de metais, alterações químicas no solo, parâmetros microbiológicos na água e características dos efluentes gerados pelos processos produtivos.
Essas informações ajudam a avaliar as condições de uma operação e a identificar situações que demandam investigação adicional. No caso dos efluentes industriais, por exemplo, o acompanhamento dos parâmetros permite verificar sua composição e avaliar mudanças ao longo do tempo, além de subsidiar o controle do tratamento e o atendimento aos requisitos ambientais aplicáveis.
A mesma lógica se aplica ao solo. A interpretação dos resultados precisa considerar não apenas a amostra coletada, mas também o histórico de uso da área, as atividades desenvolvidas, as possíveis fontes de contaminação e as características do entorno.
Segundo Keila Pinzan Alves, gerente de Qualidade do Hidrolabor, a ausência de sinais perceptíveis não deve ser confundida com a inexistência de risco ambiental. A análise laboratorial permite transformar amostras em dados objetivos, oferecendo uma base técnica para a avaliação das condições ambientais.
Gestão de resíduos exige conhecimento sobre os materiais
Outro ponto importante é a caracterização dos resíduos gerados pela atividade industrial. Conhecer sua composição contribui para avaliar os procedimentos de armazenamento, gerenciamento e destinação final mais adequados, conforme as características do material e as exigências aplicáveis.
No Brasil, o Inventário Nacional de Resíduos Sólidos integra o Sistema Nacional de Informações sobre a Gestão dos Resíduos Sólidos (SINIR) e reúne informações sobre os resíduos gerados pelos empreendimentos sujeitos às obrigações correspondentes.
Para fabricantes de embalagens, a gestão envolve diferentes fluxos de materiais, que podem incluir aparas, rejeitos de produção, lodos de tratamento, solventes e outros resíduos, conforme os processos empregados. A classificação e o gerenciamento precisam considerar as características específicas de cada fluxo, evitando que materiais com propriedades distintas recebam o mesmo tratamento sem avaliação técnica.
A caracterização dos resíduos, associada ao controle de efluentes e ao monitoramento ambiental, também pode apoiar iniciativas de redução de perdas, melhoria de processos e prevenção de passivos ambientais.
Monitoramento preventivo e histórico de dados
O acompanhamento periódico permite estabelecer referências para determinada operação e identificar alterações que mereçam investigação. Enquanto uma análise isolada representa as condições observadas no momento da coleta, uma série histórica pode ajudar a reconhecer tendências e avaliar a evolução dos parâmetros monitorados.
Essa abordagem amplia o papel do controle ambiental dentro das empresas. Em vez de atuar apenas após a identificação de uma ocorrência, o monitoramento pode integrar rotinas preventivas, programas de gestão e processos de tomada de decisão.
Em 2026, a ANA lançou o Portal da Qualidade da Água, que reúne informações produzidas pelos estados no âmbito da Rede Nacional de Monitoramento da Qualidade da Água. A iniciativa amplia o acesso a dados sistematizados sobre os corpos hídricos e contribui para o acompanhamento de sua qualidade.
Para a indústria, o princípio é semelhante: decisões ambientais mais consistentes dependem de dados confiáveis, métodos adequados de coleta e análise e interpretação dos resultados à luz das características de cada operação.
O desafio não está apenas em identificar uma contaminação já conhecida, mas em reconhecer mudanças, compreender suas possíveis origens e agir antes que uma alteração ambiental se transforme em um problema de maior dimensão.
Fonte: CETESB, ANA e informações técnicas fornecidas pelo Hidrolabor.
