Em parceria com a designer Beatriz Brennheisen, marca transforma o vidro azul de suas garrafas em dez pingentes inspirados nos botânicos do gin e explora novas possibilidades para o reaproveitamento de embalagens.
O que acontece quando uma embalagem deixa de cumprir sua função original e passa a integrar um novo produto? A parceria entre Bombay Sapphire e a designer e artista plástica Beatriz Brennheisen apresenta uma resposta: transformar o vidro azul das garrafas de gin em matéria-prima para a criação de joias contemporâneas.
A iniciativa resultou em uma coleção de dez pingentes exclusivos, produzidos com vidro reaproveitado das próprias garrafas da marca. O projeto explora o potencial estético de um material associado tradicionalmente ao acondicionamento de bebidas e o reposiciona em uma categoria de maior valor agregado.
A coleção integra o Circuito de Joias Bombay, realizado entre 11 de outubro e 11 de novembro de 2026, em bares e restaurantes selecionados de São Paulo e do Rio de Janeiro.
Quando a embalagem se transforma em matéria-prima
O projeto parte de uma característica visual marcante da embalagem: sua coloração azul. Em vez de utilizar o vidro apenas como referência estética, a proposta incorpora o próprio material à joia, explorando suas propriedades físicas e possibilidades de acabamento.
O processo começa com a seleção de partes da garrafa que apresentam espessura adequada para a lapidação. O vidro é então cortado e trabalhado pela técnica rose cut, que cria facetas capazes de explorar a transparência e a incidência da luz sobre a superfície.
As peças recebem estruturas de prata com acabamento em ródio branco, combinação que destaca o contraste entre o metal e o azul do vidro.
A designer Beatriz Brennheisen, que pesquisa a reutilização de materiais na joalheria contemporânea, explica que o desafio foi incorporar o vidro de embalagem ao universo das pedras lapidadas, valorizando suas características originais.
Dez peças inspiradas nos botânicos
Cada pingente foi concebido a partir de um dos dez botânicos utilizados na composição do gin e representados nas ilustrações da garrafa. Entre eles estão bagas de zimbro, sementes de coentro, casca de limão-siciliano, raiz de lírio, alcaçuz, amêndoas, raiz de angélica, casca de cássia, bagas de cubeba e grãos do paraíso.
A coleção será utilizada por influenciadores selecionados pela marca. Durante o circuito, o público também poderá encontrar brindes colecionáveis inspirados nos botânicos, como pulseiras personalizadas e chaveiros com miniaturas da garrafa.
Upcycling e valorização do vidro
A iniciativa se conecta ao conceito de upcycling, no qual materiais existentes são reaproveitados para criar novos produtos, buscando ampliar seu valor de uso ou sua percepção de valor.
No caso das garrafas, o projeto propõe um caminho diferente da reciclagem convencional: em vez de retornar ao ciclo industrial do vidro, o material é incorporado diretamente a um objeto de design.
A abordagem evidencia como características originalmente associadas à embalagem — cor, transparência, espessura e identidade visual — podem se tornar atributos valorizados em outra aplicação.
Embora uma coleção limitada não represente, por si só, uma solução para os desafios de escala da reciclagem de embalagens, iniciativas como essa ampliam a discussão sobre design, circularidade e alternativas de aproveitamento dos materiais.
Para a indústria de embalagens, o projeto demonstra que o potencial de um material não termina necessariamente quando o produto acondicionado é consumido. A concepção da embalagem, suas propriedades e sua identidade visual também podem inspirar novas aplicações, conectando indústria, design e economia circular.
