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Drop-in: quando a transição para uma matéria-prima renovável começa sem reinventar o processo

O que significa, na prática, ser drop-in

3 de setembro de 2026

·

3 min

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Braskem

O polietileno I'm green™ bio-based, da Braskem, é produzido a partir de etanol de cana-de-açúcar

A possibilidade de utilizar polietileno de fonte renovável mantendo propriedades, desempenho e aplicações do PE convencional reduz uma das principais barreiras técnicas à adoção de materiais de menor pegada de carbono.

O desafio não é apenas trocar a matéria-prima

Na indústria de transformação de plásticos, a escolha de uma resina está diretamente ligada à engenharia do processo. Equipamentos, moldes, temperaturas, velocidades, taxas de resfriamento e demais parâmetros de operação são definidos a partir do comportamento do material durante o processamento.

Por isso, substituir um polímero por outro pode exigir uma etapa de desenvolvimento que vai muito além da simples troca de matéria-prima. Ensaios, ajustes de processo, validações de produto e, em determinados casos, alterações em equipamentos fazem parte da equação.

É nesse contexto que o conceito de drop-in ganha relevância. Em vez de propor uma ruptura com a infraestrutura existente, a estratégia parte da compatibilidade com processos e aplicações já consolidados.

O que significa, na prática, ser drop-in

O polietileno I’m green™ bio-based, da Braskem, é produzido a partir de etanol de cana-de-açúcar, que é convertido em eteno de fonte renovável e posteriormente utilizado na produção do polietileno.

A característica central dessa rota é que o polímero obtido mantém propriedades e desempenho comparáveis aos do polietileno convencional de origem fóssil, permitindo sua utilização em aplicações já conhecidas pela indústria de transformação.

Na prática, isso significa que a mudança da origem da matéria-prima não exige necessariamente uma mudança na lógica industrial que já existe.

É uma diferença importante. A inovação não está em criar um novo processo de transformação, mas em permitir que uma nova fonte de carbono entre em um processo industrial conhecido.

A vantagem está na compatibilidade industrial

Para um convertedor, a sustentabilidade de uma matéria-prima precisa ser acompanhada de viabilidade operacional.

É nesse ponto que o drop-in ganha valor. A possibilidade de utilizar uma resina de fonte renovável dentro das cadeias existentes de processamento de PE reduz a necessidade de mudanças estruturais em equipamentos e infraestrutura.

Isso pode simplificar etapas de testes e validação e, dependendo da aplicação e da especificação da grade utilizada, reduzir a necessidade de investimentos associados à adaptação da linha produtiva.

O benefício, portanto, não está apenas na substituição de uma fonte fóssil por uma fonte renovável. Está também na redução da complexidade envolvida na transição.

Onde essa compatibilidade importa

A amplitude das aplicações é outro elemento relevante.

O portfólio I’m green™ bio-based contempla diferentes grades de polietileno, incluindo HDPE, LLDPE e LDPE, destinadas a aplicações como:

  • filmes;
  • embalagens rígidas;
  • produtos de higiene;
  • bens de consumo;
  • aplicações técnicas.

Segundo a Braskem, o portfólio conta com aproximadamente 25 grades de PE, com conteúdo renovável de 80% a 100%, certificado de acordo com a ASTM D6866.

Essa variedade permite que a discussão sobre materiais renováveis deixe de ser restrita a aplicações experimentais e passe a integrar decisões concretas de desenvolvimento, especificação e produção.

A mudança acontece antes da fábrica

Existe uma diferença importante entre mudar um material e mudar um processo. Quando a adoção de uma matéria-prima renovável exige a reconstrução da infraestrutura industrial, a sustentabilidade pode se transformar em um projeto de engenharia de grande complexidade. Quando o material pode ser incorporado às cadeias existentes, a discussão muda de escala.

O drop-in não elimina a necessidade de avaliação técnica — cada aplicação continua exigindo especificação, testes e validação adequados. Seu valor está em reduzir a distância entre a intenção de descarbonizar e a capacidade de colocar essa decisão em prática.

Para a indústria, essa pode ser uma das vantagens mais relevantes do polietileno de fonte renovável: a transição pode começar pela matéria-prima, sem necessariamente começar pela fábrica.

 

 

Autora
Cristina Banaskiwitz
Diretora & Publisher da Pack. Cobre o mercado de embalagens brasileiro há mais de uma década, com foco em alimentos, bebidas e tecnologia industrial.

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