Câmaras de amadurecimento, geração de etileno e monitoramento de qualidade definem o ponto certo da fruta que chega ao varejo. E a embalagem tem papel direto nesse processo
Banana, abacate, manga e tomate raramente chegam ao consumidor no mesmo estado em que foram colhidos. Para resistir ao transporte, muitas frutas são colhidas ainda verdes e completam o amadurecimento em câmaras controladas, perto dos centros de distribuição. O agente desse processo é um gás simples, produzido pelas próprias plantas: o etileno.
O tema voltou à pauta internacional com as feiras do setor de hortifrutícolas, como a Fruit Attraction, em Madri, e a IFPA Global Produce & Floral Show, que acontece de 14 a 16 de outubro em Orlando, nos Estados Unidos. Empresas especializadas na aplicação de etileno, como a norte-americana Catalytic Generators, que atua no segmento há mais de 50 anos, ampliam presença em mercados como Alemanha, Holanda, Itália e Espanha.
O papel do etileno
O etileno é um hormônio vegetal que regula o amadurecimento. Seu efeito, porém, depende do tipo de fruta:
- Frutas climatéricas, como banana, abacate, manga, mamão e tomate, continuam amadurecendo depois da colheita. Nelas, a aplicação controlada de etileno uniformiza e acelera o processo: a polpa amacia, o amido se converte em açúcares e a casca muda de cor.
- Frutas não climatéricas, como as cítricas, não amadurecem depois de colhidas. Nesse caso, o etileno é usado no desverdecimento: ele acelera a degradação da clorofila e deixa a casca com a cor esperada pelo consumidor, sem alterar o interior da fruta.
Como funciona uma câmara de amadurecimento
O amadurecimento comercial depende do equilíbrio de quatro fatores:
- Temperatura: controla a velocidade do processo. A temperatura da polpa, e não apenas a do ar, é o principal indicador.
- Concentração de etileno: precisa ser suficiente para iniciar o amadurecimento, de forma homogênea em toda a câmara.
- Ventilação: a fruta respira e libera CO₂. Em excesso, o gás pode retardar o amadurecimento, por isso a renovação do ar é parte do controle.
- Umidade: evita a perda de água e o murchamento da fruta.
O etileno pode ser aplicado a partir de cilindros de gás ou produzido dentro da própria câmara por geradores catalíticos, que convertem um concentrado líquido à base de etanol em etileno. Em qualquer caso, a dosagem exige cuidado, já que o etileno é um gás inflamável em altas concentrações.
Medir para garantir a qualidade
Amadurecer é apenas parte do trabalho. A qualidade precisa ser verificada ao longo de toda a cadeia, com instrumentos como termômetros de polpa, registradores de temperatura, refratômetros, que medem o teor de açúcar (grau Brix), penetrômetros, que medem a firmeza, e analisadores de etileno e de gases.
“O amadurecimento é apenas metade do quadro, também é preciso medir o que se tem”, resume Greg Akins, presidente da Catalytic Generators.
Onde entra a embalagem
Para o setor de embalagens, o amadurecimento traz exigências específicas:
- Ventilação das caixas: furos e aberturas permitem que o etileno e o ar circulem entre as frutas. Sem isso, o amadurecimento fica desigual dentro da mesma carga.
- Filmes e sacos internos: embalagens plásticas que envolvem as frutas precisam ser abertas ou ter perfurações adequadas durante a climatização, para não bloquear o contato com o gás.
- Depois do amadurecimento: o desafio se inverte. Sachês absorvedores de etileno e embalagens com atmosfera modificada ajudam a desacelerar o processo e a prolongar a vida de prateleira.
O amadurecimento controlado mostra como qualidade e redução de perdas dependem de um trabalho integrado: a fruta, o ambiente da câmara e a embalagem precisam funcionar como um único sistema.
Com informações da Catalytic Generators.
