Reduzir o peso de uma embalagem PET parece simples no papel. Na prática, significa encontrar o equilíbrio entre menor consumo de material, resistência mecânica, estabilidade durante o envase e capacidade de suportar as etapas de transporte e distribuição.
Foi esse o desafio enfrentado pela Arpanon Beverage Company Limited no desenvolvimento de uma nova garrafa PET de 600 ml para sua marca SENDAI. O projeto, realizado com a Sidel, resultou em uma embalagem de 9 gramas, aproximadamente 30% mais leve que o modelo anterior.
O resultado chama atenção não apenas pelo peso da garrafa, mas pela tentativa de trabalhar simultaneamente design da embalagem e eficiência da linha de produção.
Menos material, sem abrir mão da resistência
A nova garrafa utiliza gargalo 25/22 e foi desenvolvida sem a necessidade de utilização de nitrogênio. Segundo as informações fornecidas pela Sidel, mesmo com a redução de material, a embalagem mantém resistência à compressão superior a 30 kg.
Para chegar ao resultado, a otimização envolveu diferentes etapas, desde o desenho da pré-forma até o desenvolvimento da garrafa e os ajustes necessários na linha de produção.
Esse ponto é importante porque o chamado lightweighting — redução do peso da embalagem — não depende apenas de retirar material. A geometria da garrafa, a distribuição das paredes, o processo de sopro e as condições de produção precisam trabalhar em conjunto.
Embalagem e linha desenvolvidas em conjunto
A Arpanon também adotou uma linha Combi da Sidel com capacidade para 36 mil garrafas por hora, integrando sopro, enchimento e tampagem em um único sistema.
A integração entre embalagem e equipamento permitiu adequar o processo às características da nova garrafa. De acordo com a empresa, a pressão de sopro foi reduzida em aproximadamente um terço e o consumo de eletricidade por unidade caiu 50%.
Outro resultado informado foi o aumento da produtividade: a Arpanon teria duplicado sua produção utilizando apenas 25% da mão de obra anteriormente necessária. O tempo de produção também foi reduzido em aproximadamente 70%.
O impacto vai além do peso
O projeto mostra uma tendência que vem ganhando espaço na indústria de embalagens: o desenvolvimento da embalagem já não pode ser analisado isoladamente da operação que a produz.
Uma garrafa mais leve pode significar menor utilização de resina, mas, para que o ganho seja efetivo, é preciso preservar a performance no envase, no transporte e na distribuição. Ao mesmo tempo, mudanças no processo podem trazer ganhos adicionais em energia, produtividade e utilização de recursos.
No caso da Arpanon, a combinação das duas frentes também resultou, segundo a Sidel, em uma redução de resíduos em cinco vezes.
A experiência reforça uma questão cada vez mais presente no desenvolvimento de embalagens: o futuro do lightweighting não está apenas em produzir uma garrafa com menos plástico, mas em redesenhar todo o sistema para que essa redução seja tecnicamente viável e industrialmente eficiente.
