Empreendedor brasileiro seguirá como conselheiro-sênior do Centro para Natureza e Clima e articula iniciativa para ampliar a presença de empresas brasileiras em ecossistemas globais de inovação e sustentabilidade
O empreendedor social Gui Brammer teve seu mandato como conselheiro-sênior do Centro para Natureza e Clima do Fórum Econômico Mundial renovado por mais um ano. A recondução amplia a participação brasileira em um dos principais espaços internacionais de discussão sobre desenvolvimento sustentável, inovação, regeneração e descarbonização da economia.
Brammer foi, em 2024, o primeiro brasileiro a integrar o grupo de conselheiros-seniores do Centro para Natureza e Clima. Sua aproximação com o Fórum começou em 2019, quando recebeu o Prêmio Empreendedor Social, realizado pela Folha de S.Paulo em parceria com a Fundação Schwab. No ano seguinte, foi reconhecido pela organização como Inovador Social do Ano.
Conexão internacional para empresas brasileiras
Em junho, Brammer participou, em Tianjin, na China, do Annual Meeting of the New Champions, conhecido como Summer Davos. O encontro reuniu empresários, pesquisadores, formuladores de políticas públicas, jovens lideranças e representantes da sociedade civil para discutir temas como inteligência artificial, transição climática, inovação tecnológica e os rumos da economia global.
A participação também serviu para avançar uma nova iniciativa voltada à conexão de empresas brasileiras com os ecossistemas internacionais de inovação e sustentabilidade.
A proposta é formar grupos de empresas nacionais para uma jornada anual de conexão internacional, com participação em seis encontros globais, ampliando a visibilidade de tecnologias desenvolvidas no Brasil e criando oportunidades para sua expansão em outros mercados.
“Uma das atribuições que assumo neste segundo mandato é aproximar empresas brasileiras do ecossistema do Fórum Econômico Mundial”, afirma Brammer.
Para o empreendedor, o Brasil reúne ativos estratégicos em áreas como Bioeconomia, transição energética, economia circular, biodiversidade e tecnologias climáticas, mas ainda precisa ampliar sua presença nas discussões e nos mercados internacionais ligados a essas agendas.
Brasil e a nova economia
Ao longo de 2025, Brammer participou das discussões do Centro para Natureza e Clima, que reúne organizações e governos comprometidos com a transição para uma economia de baixo carbono e com as metas do Acordo de Paris.
Agora, com a renovação do mandato, pretende ampliar as conexões entre empresas e lideranças brasileiras e os debates globais sobre o futuro da economia.
“Grande parte da minha contribuição tem sido justamente mostrar que o Brasil possui ativos únicos – biodiversidade, capacidade científica, biomassa e potencial de inovação – que ainda ocupam um espaço muito menor do que poderiam nas discussões globais”, afirma.
Segundo Brammer, também existe uma oportunidade para aproximar empreendedores brasileiros do capital internacional destinado a soluções relacionadas à emergência climática, regeneração ambiental e desenvolvimento sustentável.
The Hope Economy
A atuação internacional coincide com o lançamento de The Hope Economy – A Economia da Esperança, documentário idealizado por Brammer que investiga iniciativas capazes de combinar prosperidade econômica, regeneração ambiental e impacto social.
Lançado em junho de 2026, o filme percorre diferentes regiões do Brasil, da Amazônia ao Cerrado, além da Coreia do Sul, reunindo mais de 70 entrevistados em mais de 20 territórios. Cientistas, agricultores, lideranças indígenas, empreendedores e representantes de centros de inovação participam da produção.
A investigação parte de uma questão central: é possível construir negócios economicamente viáveis que também contribuam para a regeneração do planeta?
O documentário aborda ainda o que Brammer define como um “Triângulo Quebrado”, formado pela distância entre negócios de impacto, grandes corporações e investidores.
Para o empreendedor, o trabalho desenvolvido no Fórum e o documentário fazem parte de uma mesma agenda: identificar e conectar modelos econômicos capazes de gerar prosperidade sem ampliar a pressão sobre os ecossistemas.
Curadoria PACK: a presença de Brammer no Fórum Econômico Mundial coloca em evidência uma discussão cada vez mais estratégica para a indústria brasileira: como transformar os ativos naturais, científicos e tecnológicos do país em negócios, inovação e presença internacional. A próxima etapa parece menos ligada a apresentar o potencial brasileiro — e mais a criar as conexões para colocá-lo em escala.
