Rastreabilidade e Metodologia Europeia: As Novas Atualizações de ACV do I’m green™ bio-based
Para o comprador B2B que precisa provar metas de descarbonização de Escopo 3, uma alegação de “carbono negativo” só tem valor se for auditável, comparável e metodologicamente rigorosa. É exatamente esse o propósito da atualização de Avaliação de Ciclo de Vida (ACV) que a Braskem apresentou em 2025 para todo o portfólio I’m green™ bio-based, polietileno, EVA e cera de polietileno (PE Wax).
Por que a metodologia importa tanto quanto o número
As Avaliações de Ciclo de Vida foram conduzidas em conformidade com as normas ISO 14040/44 e ISO 14071, garantindo análises assertivas dos impactos ambientais das soluções renováveis produzidas a partir do etanol de cana-de-açúcar. A revisão incorporou dados recentes entre 2020 e 2023, foi auditada de forma independente e utilizou metodologias avançadas como o Environmental Footprint 3.1 (EF 3.1), recomendado pela Comissão Europeia.
Isso é relevante porque o EF 3.1 não é apenas mais um padrão entre vários , é a metodologia de referência que a própria regulação europeia usa para avaliar pegada ambiental de produtos, o que significa que os números da Braskem já nascem compatíveis com os critérios que compradores europeus (e, cada vez mais, cadeias globais) vão exigir daqui pra frente. Segundo Alex Duarte, líder comercial de I’m green™ bio-based para a América do Sul, as ACVs atualizadas mostram os esforços contínuos da companhia para melhorar a qualidade dos dados, interagir de forma transparente com as partes interessadas e impulsionar a inovação sustentável.
Os números, produto a produto
Os resultados confirmam que todos os produtos I’m green™ bio-based têm pegada de carbono negativa, reforçando seu papel na remoção de carbono e na mitigação das mudanças climáticas:
- PEAD renovável: pegada de carbono de aproximadamente -5 kg de CO₂e por kg, em comparação com a alternativa de origem fóssil.
- EVA renovável: aproximadamente –4,4 kg de CO₂e por kg frente à alternativa fóssil.
- PE Wax renovável: aproximadamente -4,7 kg de CO₂e por kg frente à alternativa fóssil.
Esses números não medem apenas “menos emissão” medem remoção líquida. Cada quilo desses polímeros produzido carrega mais carbono capturado da atmosfera (via fotossíntese da cana) do que emitido ao longo do processo produtivo, cradle-to-gate. Para uma empresa reportando Escopo 3, isso significa que a decisão de compra do polímero se torna, ela mesma, uma alavanca de descarbonização mensurável, não apenas uma compensação genérica.
Selo Verde Brasil: da metodologia científica ao reconhecimento regulatório
A atualização das ACVs também chega em um momento estratégico: o programa Selo Verde Brasil, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, avançou com a publicação, pela ABNT, de uma norma técnica específica para polímeros de fonte renovável e o portfólio I’m green™ bio-based está posicionado para se tornar o primeiro do setor químico a receber essa certificação, com conclusão prevista para o primeiro semestre de 2027.
Segundo Duarte, a iniciativa fortalece o ambiente de negócios ao criar um ambiente regulatório mais previsível e alinhado às melhores práticas globais. O Selo Verde Brasil deve atuar como diferencial competitivo, facilitando o acesso de produtos nacionais a mercados internacionais rigorosos e priorizando essas soluções em compras públicas.
Na prática, isso fecha um ciclo que interessa diretamente ao comprador técnico: metodologia científica internacional (EF 3.1, ISO 14040/44) validando os números, mais um selo nacional formal que serve como camada adicional de verificação contra greenwashing e como chancela de rastreabilidade para exportação.
Por que isso importa para quem reporta descarbonização
Dados de ACV auditados por terceiros e alinhados a metodologia aceita internacionalmente são, cada vez mais, pré-requisito, não diferencial para empresas que precisam sustentar metas de Escopo 3 diante de auditores, investidores e reguladores. A atualização do I’m green™ bio-based entrega exatamente essa camada de evidência: números comparáveis, metodologia rastreável e, em breve, um selo nacional que formaliza tudo isso dentro do arcabouço regulatório brasileiro.
